Hoje, 17 de outubro, assinala-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, uma data criada pela ONU com o objetivo de sensibilizar para a urgência de eliminar todas as formas de pobreza, sobretudo a extrema, em prol de sociedades mais justas e inclusivas.
Em Portugal, mais de 1,76 milhões de pessoas vivem em risco de pobreza, o que corresponde a 16,6% da população residente (dados de 2024). A evolução da taxa de risco acompanhou, ao longo da última década, a dinâmica dos ciclos económicos. Ainda assim, de forma geral, a taxa tem vindo a diminuir, de forma gradual (como referência, em 1995 o risco de pobreza atingia 23% da população). O progresso é lento e revela a persistência de vulnerabilidades estruturais, que continuam a afetar uma parte significativa dos agregados familiares.
A educação é um dos fatores mais decisivos. Os dados mostram que o nível de escolaridade influencia o risco de pobreza e, nesse sentido, quanto menor o nível de estudos completo, maior o risco. Em 2024, 22,7% das pessoas com o ensino básico estavam em risco de pobreza. Entre quem tem o ensino secundário completo, a taxa é de 12,5%. E, ao nível do ensino superior, é de 6,5%.
A relação entre o risco de pobreza e a escolaridade também se verifica de pais para filhos. Ou seja, quanto menor o nível de escolaridade dos pais, maior o risco de pobreza das crianças. 34,3% das crianças cujos pais têm apenas o ensino básico viviam em risco de pobreza, em 2024. Esta taxa passa para 8,9% para crianças com pais que completaram o ensino superior.
Além da escolaridade, existem outros fatores preponderantes. O risco de pobreza é superior nas crianças (17,8%) e idosos (21,1%). E, independentemente da faixa etária ou nível de escolaridade, foi sempre mais elevado entre a população feminina.